Como evitar o fracasso com conteúdo em escala
O conteúdo em escala está mudando a SEO. O Google penaliza conteúdos repetitivos e pouco originais.
Hoje vamos discutir um tema que está revolucionando a forma como se faz SEO e se constrói sites: o conteúdo em escala, ou seja, a produção de conteúdos em larga escala, muitas vezes de maneira rápida e repetitiva.
Imagine um site que, da noite para o dia, decide se tornar a referência definitiva sobre a culinária portuguesa. Começa a publicar artigos um após o outro: "Os melhores restaurantes de Lisboa", depois "Os melhores restaurantes do Porto", "Os melhores restaurantes em Faro"... e não para mais. Chega a cobrir cada cidade, vila e aldeia de Portugal, sempre seguindo o mesmo padrão: uma lista de locais, algumas frases copiadas aqui e ali, algumas fotos de banco de imagens e pronto, parte para o próximo. Ou pense em um blog de tecnologia que decide avaliar todos os gadgets da moda: "Os 10 melhores smartphones abaixo de 300 euros em 2026", "Os 10 melhores fones de ouvido sem fio em 2026", "Os 10 melhores carregadores rápidos em 2026"... e continua assim para cada categoria possível, mudando apenas algumas palavras e números.
Não é que esses artigos sejam necessariamente ruins ou falsos. O problema é que todos eles nascem iguais, como se fossem impressos com o mesmo molde. Variam apenas o nome da cidade, o produto ou o ano, mas, no fundo, dizem as mesmas coisas, com as mesmas frases e o mesmo tom monótono. A ideia por trás disso é simples: inundar a internet com páginas que capturem qualquer pesquisa que alguém possa fazer, na esperança de que alguém clique. E, por um tempo, isso funcionou.
Nos anos anteriores, essa era uma tática que funcionava razoavelmente bem. Antes de 2024, muitos sites cresciam exatamente assim: ferramentas para gerar páginas automaticamente, templates que mudavam apenas a palavra-chave, artigos curtos, mas em grande quantidade. Especialmente em nichos locais, turismo e avaliações de produtos.
Então, chegou março de 2024. O Google atualizou suas políticas contra spam e introduziu oficialmente o conceito de abuso de conteúdo em escala. Não disse "é proibido fazer muitos conteúdos", mas deixou claro que se você produz páginas em massa com o principal objetivo de manipular rankings, sem realmente ajudar os usuários, isso viola as regras. Falaram sobre conteúdos de baixa qualidade ou não originais gerados em escala, muitas vezes de forma automatizada.
A partir daí, as atualizações do Google se sucederam: várias atualizações de spam em 2024, depois em agosto de 2025 com um foco ainda mais forte nesses padrões, e em 2026 a inteligência artificial do Google se tornou extremamente eficaz em reconhecer quando um site tem toneladas de páginas semelhantes que não agregam valor único.
Não importa apenas se você usa inteligência artificial ou não. Você pode escrever tudo manualmente, mas se copiar e colar o mesmo esquema mudando apenas o nome da cidade ou do produto, o resultado é o mesmo: páginas que parecem clones. O Google observa os sinais: duplicação de estrutura, textos que se assemelham demais, falta de aprofundamento real, experiências pessoais, dados atualizados.
Alguns exemplos concretos que ainda são comuns: - Sites que publicam de 50 a 100 artigos por mês sobre variações de palavras-chave longas, mas cada texto tem 300 palavras com as mesmas frases recicladas. - Guias locais que existem apenas para capturar pesquisas por voz, mas não oferecem nada que já não esteja disponível no TripAdvisor ou no Google Maps.
Em 2026, a direção é clara: o Google quer premiar quem investe em conteúdos que realmente resolvem um problema, que trazem algo novo (fotos originais, opiniões pessoais, testes realizados no campo, atualizações ao longo do tempo). Não importa se você cria 10 ou 1000 conteúdos: o que conta é se cada um deles vale a pena existir por si só.